Princípios e Diretrizes da Rede Favela Sustentável
2321
post-template-default,single,single-post,postid-2321,single-format-standard,theme-stockholm,qode-social-login-1.1.3,qode-restaurant-1.1.1,stockholm-core-1.2.1,woocommerce-no-js,select-theme-ver-5.2.1,ajax_fade,page_not_loaded,popup-menu-fade,header_top_hide_on_mobile,wpb-js-composer js-comp-ver-6.1,vc_responsive

Princípios e Diretrizes da Rede Favela Sustentável

BAIXE A VERSÃO EM PDF AQUI

 

Nossa Missão

 

Realizar o potencial das favelas como comunidades sustentáveis, através de uma rede de troca de conhecimento, apoio mútuo e desenvolvimento de ações conjuntas entre iniciativas comunitárias de sustentabilidade ambiental e resiliência social e aliados técnicos.

Nossos Objetivos

 

  • Reconhecer iniciativas e qualidades que já existem nas favelas cariocas, que representam a sustentabilidade e resiliência socioambiental;
  • Potencializar estas iniciativas:
    • Ampliar a visibilidade destas iniciativas;
    • Criar redes de troca de conhecimentos, estratégias e informações entre iniciativas comunitárias socioambientais;
    • Fomentar capacitações para fortalecer as iniciativas e a rede;
    • Realizar parcerias estratégicas para o crescimento das iniciativas da RFS e sustentabilidade socioambiental das favelas;
  • Ampliar este debate para além do Rio.

 

Nossos Focos

 

Tal como o nome indica, os focos da Rede Favela Sustentável (RFS) são:

Rede
  • Atuamos através do trabalho em rede em prol de projetos e mobilizadores socioambientais de base comunitária integrantes da RFS. Ninguém oferece respostas; todos oferecem respostas.
  • O trabalho desenvolvido deve trazer benefícios coletivos e distribuidos pelos integrantes da RFS.
  • Reconhecemos que todos têm talentos e conhecimentos únicos e de grande valor para a RFS. Não é necessário ter um projeto definido para participar.
  • Somos um espaço de acolhimento e apoio onde moradores, lideranças comunitárias e técnicos podem expor suas necessidades e buscar soluções em parceria.

 

Favela
  • Atuamos em prol de mobilizadores e projetos socioambientais nas favelas da Região Metropolitana do Rio.
  • Existimos para dar suporte à líderes e moradores de favelas que potencializam os seus territórios. Entendemos que a integridade da rede depende dela estar respondendo às necessidades das lideranças e comunidades locais.
  • Apoiamos também outros territórios periféricos, como quilombos urbanos.

 

Sustentável
  • Atuamos para realizar uma cidade sustentável, a partir de suas favelas.
  • Valorizamos as qualidades urbanísticas sustentáveis existentes nas favelas, sem impor modelos externos de sustentabilidade.
  • Enxergamos a potência das favelas e buscamos realizá-las como comunidades sustentáveis do futuro.

 

Princípios e Conceitos Norteadores

 

  • Favelas Como Fontes de Soluções—Tanto na sua origem (emergindo como solução para a falta de moradia) quanto na sua evolução (respondendo aos desafios mais variados da vida com ações individuais e projetos coletivos locais) a favela não é na sua raiz um problema, e sim uma fábrica de soluções.
  • Novo Padrão de Urbanismo—Acreditamos em um novo padrão de urbanismo onde favelas se desenvolvem de forma sustentável, tornando-se cada vez mais locais de resiliência, criatividade e solução, através do fortalecimento de iniciativas sustentáveis que já existem, junto a um poder público que garanta o desenvolvimento sustentável por processos de planejamento controlados pelos moradores locais.
  • Desenvolvimento Comunitário Baseado em Ativos—Somos comprometidos com o modelo de desenvolvimento local chamado “desenvolvimento comunitário baseado em ativos” no qual o foco é no desenvolvimento de moradores e o território de acordo com suas potências e demandas, e não à partir de uma visão e imposição externa, tecnocrata.
  • Demandas Oriundas das Lideranças e Mobilizadores Locais—As demandas que conduzem as atividades da RFS são as que surgem entre as lideranças e mobilizadores comunitários. Aliados técnicos são fundamentais na construção e realização de soluções, mas devem sempre reconhecer e manter o foco em ações respondendo às demandas dos moradores de favela integrantes da RFS.
  • Diversidade—Buscamos garantir o envolvimento de atores de diversas favelas e regiões da cidade e Região Metropolitana, além de construir um espaço aberto para pessoas de diferentes raças e etnias, classes sociais, gêneros, idades, orientações sexuais, religiões, alinhamentos políticos e outros fatores. Com isso, procuramos garantir que a RFS seja um espaço acolhedor para pessoas negras, de baixa renda e mulheres.
  • Avaliação Constante—Acolhemos sempre críticas e encorajamos nos membros e projetos da RFS a autocrítica constante. Realizamos avaliações escritas após todos os encontros e atividades, além de encorajarmos contatos diretos, públicos ou particulares, com a equipe que coordena as atividades da RFS para que incorporamos críticas de imediato em prol da garantia dos princípios e diretrizes da RFS.

 

Estrutura 2021

 

  • Plenárias Mensais—Em 2021, a RFS se reúne virtualmente em plenárias mensais, que acontecem das 17-19:30h, sempre na primeira terça-feira do mês. Essa plenárias seguem a seguinte estrutura básica:
    • Abertura da plenária, com exposição de informações pertinentes a toda a RFS como apresentações de projetos por integrantes comunitários da RFS;
    • Devolutiva dos facilitadores dos GTs sobre o que aconteceu na última reunião e desde então no seu GT;
    • Divisão em salas separadas, para reuniões simultâneas dos Grupos de Trabalho;
    • Retorno à plenária para costura conjunta das próximas ações conforme definidas pelos GTs.

 

  • Grupos de Trabalho (GTs)—Os GTs norteiam as ações da RFS. Como todos os formatos de atuação da RFS, os GTs devem seguir os princípios e diretrizes da RFS e devem buscar uma participação significativa, de 50%, de mobilizadores comunitários de diferentes regiões da RMRJ e pelo menos 10 membros ativos em cada reunião. Os GTs atuam através de seus grupos em prol de todos os integrantes e da missão da Rede Favela Sustentável. Os temas dos GTs são:
    • Água e Esgoto
    • Educação Ambiental
    • Energia Solar
    • Hortas e Reflorestamento
    • Geração de Renda
    • Memória e Cultura
    • Resíduos Sólidos

 

  • Reuniões de Desenrolo—Para além das reuniões dos GTs nas plenárias, também estamos inaugurando a possibilidade de reuniões de desenrolo, que são encontros adicionais de um GT para continuação de uma conversa iniciada na plenária mas sem tempo suficiente, em um horário diferente da plenária mensal. Por exemplo: um GT se reúne durante a plenária mas não tem tempo de finalizar as discussões em torno de um projeto, então os integrantes marcam uma reunião de desenrolo para continuar a conversa e fechar o assunto.
    • Essas reuniões devem acontecer com a presença do facilitador que fará a conexão com a equipe da ComCat, inclusive mantendo lista de presença e anotações.
    • As reuniões seguirão também as diretrizes e princípios da RFS.
    • Para contar como uma reunião da RFS, essas reuniões devem contar com a participação de pelo 50% das pessoas que participaram da reunião do GT na plenária, incluindo duas lideranças comunitárias.
    • A equipe da ComCat será responsável pela comunicação das deliberações da reunião à RFS como um todo.

 

  • Núcleos—Em 2021 estamos inaugurando a possibilidade de criação de núcleos, grupos paralelos aos GTs que sejam criados para fins específicos, como a realização de uma atividade, campanha, ou documento.
    • Os núcleos podem atuar e se reunir sem a presença da equipe da ComCat.
    • Núcleos podem convidar membros de diversos GTs e inclusive atuarem de forma inter-GT ou em parceria com outras redes.
    • Os núcleos seguirão também as diretrizes e princípios da RFS.
    • Para existir oficialmente como parte da RFS, esses núcleos devem contar com a participação de pelo menos duas lideranças comunitárias.
    • A facilitação, lista de participantes e relatoria das reuniões será feita pelos próprios participantes do núcleo.
    • A relatoria e lista de participantes deve ser encaminhada para a equipe da ComCat, que será responsável pela comunicação das atividades do núcleo à RFS como um todo.
    • Após cada reunião do núcleo, a ComCat disseminará uma avaliação por escrita para os participantes e repassar os resultados de volta para o núcleo e toda a RFS.

 

  • Frente de Políticas Públicas Participativas—Em 2021 a RFS está lançando sua Frente de Políticas Públicas Participativas (FPPP), um espaço para integrantes proporem e encaminharem propostas coletivas ao poder público, com base na carta-compromisso elaborada pela RFS em 2020.
    • A FPPP se reunirá mensalmente duas semanas após a plenária.
    • A FPPP é composta por integrantes mobilizadores comunitários e aliados técnicos da RFS.
    • A FPPP não é aberta à participação de candidatos eleitos exceto caso sejam mobilizadores de favelas integrantes da RFS eleitos à cargos públicos.
    • A FPPP buscará contato e engajamento com servidores públicos e eleitos após confirmação, e de acordo com, as estratégias definidas pela maioria do grupo.
    • A FPPP entende que o engajamento de políticos deve ser buscada após definição das pautas, propostas e demandas dentro da RFS, para diminuir a chance de cooptação do grupo por políticos.
    • A FPPP é apartidária e articulará diálogo com as diversas matizes do campo político.
    • A FPPP será mantida em 2021 e será avaliada no final do ano pela RFS se daremos continuidade em 2022.

 

Organização e Papéis

 

  • Gestão—A gestão da RFS é realizada pela equipe da Comunidades Catalisadoras (ComCat). A ComCat se compromete a…
    • Zelar pela integridade da RFS e a garantia do cumprimento destas diretrizes.
    • Facilitar as plenárias mensais e Frente de Políticas Públicas Participativas.
    • Documentar e garantir a relatoria das reuniões e processos da RFS.
    • Realizar comunicações via email, WhatsApp e redes sociais, para garantir a transparência dos processos e promover o engajamento dos participantes.
    • Manter o site e mapa de integrantes atualizado e disponível para que mais pessoas possam conhecer a RFS e as organizações/iniciativas/projetos que fazem parte dela.
    • Realizar avaliações constantes sobre como os integrantes da RFS percebem seu andamento e suas atividades, e compartilhar o resultado dessas avaliações com os participantes.
    • Armazenar e manter em sigilo todos os contatos e dados dos participantes da RFS, seguindo nossa política de privacidade.
    • Especificamente em 2021, a ComCat se compromete a:
      • Coordenar a realização da Frente de Políticas Públicas Participativas.
      • Coordenar a realização de 4 lives/intercâmbios/oficinas virtuais transversais entre GTs da RFS.
      • Coordenar a realização de um intercâmbio internacional da RFS.
      • Atualizar o mapa da RFS.

 

  • Participantes—A realização de fato da RFS acontece através da participação ativa de seus integrantes. A RFS é aberta à participação por mobilizadores comunitários, moradores de favelas e aliados técnicos independente da idealização ou execução de projetos em seus territórios, sendo aberta a todos que desejam participar das atividades. Dos integrantes esperamos:
    • Participar das plenárias mensais, sempre que possível, contribuindo suas ideias e ouvindo ativamente as falas dos demais.
    • Cumprir o que for combinado na reunião do GT do qual faz parte, caso participe de um GT.
    • Se engajar com os grupos de WhatsApp, divulgando materiais relevantes aos tópicos de cada grupo, respondendo a dúvidas dos demais e oferecendo ajuda quando for pertinente.
    • Preencher avaliações e responder as comunicações feitas pela equipe da ComCat.
    • Zelar pelas diretrizes descritas neste documento.

 

  • Aliados Técnicos—Muitos participantes da RFS não são moradores, e sim pessoas que atuam em solidariedade com esses moradores, colocando suas habilidades e seu tempo à disposição da RFS. Chamamos esses participantes de aliados técnicos, pois valorizamos sua solidariedade e competências técnicas, enquanto reconhecemos que as demandas e expertise das lideranças locais é o que determina a atuação da RFS. Com isso, é importante destacar o papel dos aliados:
    • Aliados zelam para garantir que as demandas e propostas das lideranças locais norteiam as atividades da RFS.
    • Aliados realizam um trabalho de suporte e estruturação para que lideranças locais possam se concentrar nas ações em seus territórios.
    • Aliados aproximam lideranças às questões técnicas, e não afastam-os.
    • Aliados buscam realizar trocas de conhecimentos em que as lideranças sejam protagonistas e os técnicos seus companheiros.
    • Aliados mantêm uma auto-reflexão individual e coletiva assegurando seu papel de apoio (e não protagonismo).

Observações Complementares

 

1 – As favelas do Rio de Janeiro exibem uma diversidade de qualidades urbanísticas sustentáveis. Qualidades difíceis de serem desenvolvidas através do planejamento centralizado, e que urbanistas nos quatro cantos do mundo hoje tentam estimular, com muita dificuldade, muitas vezes tarde demais. Algumas das características observadas são: (1) Moradia a preços acessíveis em áreas centrais. (2) Densidade, que promove e possibilita a prestação de serviços públicos, sem demasiada verticalidade, que estimula o isolamento. (3) Foco no pedestre – o que estimula um alto grau de confraternização e troca. (4) Alto uso de bicicletas e transporte público – o que é bom para o meio ambiente urbano e global. (5) “Uso misto” residencial e comercial – que diminui a necessidade de deslocamento e estimula o convívio local (lares acima de lojas). (6) Moradia próxima ao trabalho – que diminui os gastos de dinheiro e tempo com transporte, evitando a sobrecarga nas redes de transporte. (7) Arquitetura orgânica – arquitetura que evolui aos poucos e pode ser adaptada mais facilmente às necessidades dos moradores. (8) Alto grau de ação coletiva – que além de fortalecer laços de apoio, propõe economias com os custos de certos serviços e materiais. (9) Redes intrincadas de solidariedade. (10) Alto grau de produção cultural. (11) Facilitador de empreendedorismo – pela troca constante entre moradores, possibilidade de criar um comércio em casa, e flexibilidade proporcionada historicamente pela falta de regulamentação

2 – Este tipo de desenvolvimento contribui para a reparação histórica, ao reconhecer que os ativos daqueles territórios sempre foram e continuarão a ser importantes para a cidade, e futuramente para uma sociedade nova e equilibrada.

3 – Nenhuma dessas atividades é exigida, são apenas encorajadas, pois é através delas que a RFS cresce, floresce e gera resultados. Dependemos de todos! Mas cada um deve se engajar com a RFS só dentro das suas possibilidades, e todos deverão entender os limites dos demais.

4 – Reconhecemos tanto que existem lideranças locais que são técnicos, quanto aliados que não são técnicos, mas de forma geral utilizamos essa nomenclatura para identificar os dois grandes grupos engajados na RFS.