Por Que a Rede foi Criada
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Por Que a Rede foi Criada

A sociedade vê a favela como um problema intrínseco. Porém, tanto na sua origem (emergindo como solução para a falta de habitação) quanto na sua evolução (respondendo aos desafios mais variados da vida no contexto de negligência do estado dentro do possível, com ações individuais e projetos coletivos locais) a favela não é na sua raiz um problema. Nós da Rede Favela Sustentável enxergamos na favela uma fábrica de soluções.

Temos observado que as favelas do Rio de Janeiro exibem uma diversidade de qualidades urbanísticas sustentáveis. Qualidades difíceis de serem desenvolvidas através do planejamento centralizado, e que urbanistas nos quatro cantos do mundo hoje tentam estimular, com muita dificuldade, muitas vezes tarde demais. Algumas das características observadas são:

  • Moradia a preços acessíveis em áreas centrais.
  • Densidade, que promove e possibilita a prestação de serviços públicos, sem demasiada verticalidade, que estimula o isolamento.
  • Foco no pedestre – o que estimula um alto grau de confraternização e troca.
  • Alto uso de bicicletas e transporte público – o que é bom para o meio ambiente urbano e global.
  • “Uso misto” residencial e comercial – que diminui a necessidade de deslocamento e estimula o convívio local (lares acima de lojas).
  • Moradia próxima ao trabalho – que diminui os gastos de dinheiro e tempo com transporte, evitando a sobrecarga nas redes de transporte.
  • Arquitetura orgânica – arquitetura que evolui aos poucos e pode ser adaptada mais facilmente às necessidades dos moradores.
  • Alto grau de ação coletiva – que além de fortalecer laços de apoio, propõe economias com os custos de certos serviços e materiais.
  • Redes intrincadas de solidariedade.
  • Alto grau de produção cultural.
  • Facilitador de empreendedorismo – pela troca constante entre moradores, possibilidade de criar um comércio em casa, e flexibilidade proporcionada historicamente pela falta de regulamentação.

 

Favelas representam uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável fora dos padrões formais, através dos inúmeros ativos das próprias favelas. Trabalhar em prol de um desenvolvimento sustentável nas favelas, com base em seus ativos, irá revelar as favelas como referências positivas da cidade, e que poderão ser vistas inclusive como exemplos para áreas formais em termos de flexibilidade, criatividade, estratégias de resiliência, senso de coletividade, etc.

As favelas compõem uma grande parte da cidade que tem sido negligenciada historicamente, seus ativos não são reconhecidos e sua população, consequentemente, é sistematicamente estigmatizada por estar em um território tido como informal e problemático. Porém, dado que o desenvolvimento destas áreas é necessário, e que as favelas já possuem características do novo urbanismo, nada mais oportuno do que um novo padrão de desenvolvimento urbano que ultrapasse o modelo atual: um modelo caracterizado pela globalização, por ser predatório, especulativo e competitivo.

Ao invés disso, podemos gerar um novo padrão onde favelas se desenvolvem de forma sustentável, tornando-se cada vez mais locais de resiliência, criatividade e solução, através do fortalecimento de iniciativas sustentáveis que já estão se tornando mais comuns nas favelas do Rio. Este tipo de desenvolvimento contribui para a reparação histórica – devida a estas populações negligenciadas – ao reconhecer que os ativos daqueles territórios sempre foram e continuarão a ser importantes para a cidade, e futuramente para uma sociedade nova e equilibrada.

Embasada nestes fundamentos, a Rede Favela Sustentável foi criada para fomentar o conceito de favela como modelo sustentável e conectar diversas iniciativas, existentes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, focadas na promoção da sustentabilidade e resiliência em favelas.